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Meu carnaval 2015

By Antonio Nóbrega | 12 fevereiro 2015 | Sem Comentários

Nesta sexta treze (…) estarei participando mais uma vez da abertura do carnaval de Recife. Ano passado, nessa mesma ocasião, recebia eu de Naná Vasconcelos a “faixa” de homenageado do carnaval, “faixa” que passarei na festa de abertura amanhã para o amigo Spok. Na verdade, essa homenagem dividi com o frevo, cujo reconhecimento como patrimônio imaterial da humanidade se dera em dezembro de 2012. Foi a partir de fevereiro de 2014, portanto, que eu e o frevo nos  enlaçamos num casamento cuja finitude mais próxima é a eternidade…Com a escolha de Spok para ser o homenageado do carnaval deste ano, esse laço se amplia transformando-se num grande e fraterno frevo-abraço que daqui envio para o amigo, literalmente, de vários carnavais, Spok. Com efeito, remonta ao ano de 1996 o nosso primeiro encontro, quando, em cima de um trio elétrico na avenida Boa Viagem, na semana pré-carnavalesca, nos juntamos pela primeira vez para tocarmos e cantarmos “a música pernambucana”. Esse fato foi o estopim de uma parceria que se concretizou em outros trios, espetáculos, Cds, Dvds, e viagens pelo país e fora dele. Portanto, razão tenho eu de sobra para desejar ao amigo o melhor carnaval do mundo…

E dele se tratando, digo do carnaval, irei novamente, e ainda, nele me apresentar nesse ano. Além da participação na abertura, farei quatros apresentações. Serão elas em Recife, no sábado e domingo, respectivamente nos polos de Jardim São Paulo e Arsenal da Marinha, sempre às 23:40h e, fora de Recife, uma em Olinda, na segunda, às 23h e uma outra em Paudalho, já na quarta, à 1h da manhã.

Para essas apresentações, e diferentemente dos anos anteriores, em que sempre privilegiei cantar e tocar a música carnavalesca pernambucana – em que pese uma certa indefinição dessa frase-conceito – nesse ano tomei a decisão de apresentar músicas minhas independentemente da ligação carnavalesca. As pessoas, principalmente de Recife, andam me solicitando cantar canções presentes em vários  espetáculos que criei e que raramente apresento em shows.

É o caso de músicas como Zumbi, Estrela D’alva, Foguete brasileiro, etc. Espero  atender, portanto, nos shows de carnaval desse ano, a demanda tanto desses pedintes-fãs, quanto, me desculpem a franqueza, a minha pessoal demanda, pois verdade seja dita, há algum  tempo que gostaria de reapresentar essas canções, cuja ocasião me parece ser, nesse carnaval, nos trinques!

Vamos ver se, além de mim e dos fãs, as demais pessoas que porventura os assistirão, irão concordar com a minha decisão.

Vou aproveitar, agora, ao finalizar, para convidar a todos para escutar uma dessas músicas, a Avenida Brasil, uma marcha-de-bloco composta por mim e pelo amigo-parceiro Wilson Freire onde casamos os bonitos nomes das ruas de Recife com as do bairro paulistano da Vila Madalena. Ela está em um dos Cds Nove de Frevereiro.

Segue a letra.

Rua Nova, rua Velha,

Purpurina, Chão de estrelas,

até quando ainda vou revê-las?

 

Madalena, porque choras?

Angustura, ai que Saudade,

que fizemos às cidades?

Piedade

 

Quero acordar, Aurora, no Largo da Concórdia,

subir Ladeira da Misericórdia.

 

Rua do sol, da União, do Futuro.

À deriva caminho, porto inseguro.

Não andar com Liberdade,

pelos centro e arrabaldes…

Dor que me atropela

sob a passarela

da Avenida Brasil.

Quem quiser ouvi-la direitinho é só ir para …o dropsitunestagflash

Nóbrega  

PS: O pessoal da minha comunicação pede pra dizer que aqui vocês encontram todos os meus canais digitais.

 





A água e a boca do vulcão

By Antonio Nóbrega | 5 fevereiro 2015 | Sem Comentários

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Abri a porta do box para tomar banho e me pus de pé dentro de uma bacia colocada bem embaixo do chuveiro. Abri a torneira e à medida que a água começou a me molhar fui logo xampuando os cabelos. Fechei o chuveiro e ensaboei-me todo. Abri novamente a torneira e enquanto a água escorria pelo corpo e cabeleira (…) retirando a espuma, aproveitei ainda para sabonetar o rosto…

Quando terminei toda a operação vi que a água acumulada na bacia já dava pelo começo da canela e que supriria por duas ou três vezes a demanda de água para usar na privada.

E fui me enxugando pensando-perguntando: se fôssemos educados  dentro dessa atitude desde o dia em que tomamos banho pela primeira vez, se aprendêssemos desde muito cedo que os “dons” da natureza não são  infinitos e que nascemos para viver gregariamente, não nos pouparíamos, nós a nós mesmos, do vexame que passaremos em breve, ainda nós, os moradores da cafeinada  cidade de São Paulo?

Tenho para mim que o caso da água é só mais um sinal de alerta sobre quão perdulária é a nossa maneira de conviver com natureza. Não creio que estejamos usando da melhor maneira possível os recursos de nossa inteligência, pois, ao que parece, inflacionamos desmesuradamente a nossa porção cerebral impulsionadora de atitudes e atos inconsequentes, excessivamente individualistas, estúpidos. No caso da água, é bem verdade que o nosso governador não deveria ter sido tão omisso e incivil.  Desmereceu a sua função de guardião do estado e da sua gente. Mas não creio que seja unicamente pela via política que a questão pode ser resolvida.

A questão em jogo é muito maior. É um problema de natureza também conjuntural. Um problema do sistema-mundo em que vivemos. Estamos nos educando muito insatisfatoriamente para o exercício da vida em comum! A educação tal como é modernamente concebida não parece querer levar em conta certos aspectos. Falta-nos dar um sentido maior e integral  à palavra educação. Caminhamos bem no quesito educação formal. De uma forma ou de outra – aqui, acolá – ela tem prosperado: aprendemos matemática, geografia, tocar um instrumento musical, a nadar, a passar no vestibular, etc. Mas…

Estou pensando numa educação que, embora converse com essa, a ultrapasse, a transcenda.  Estou pensando numa educação cultural, humanística mesmo, aquela que leve em conta valores, visão de mundo, sentimento gregário, planetização, etc., aquela que nos ajude a ampliar, abrir as nossas consciências face aos problemas que, não nos iludamos, se não soubermos tratar, nos levarão à ruína… Estou pensando numa educação que nos faça compreender que somos todos parceiros de uma mesma jornada planetária e que se não nos irmanarmos nessa jornada única – tão bela quanto árdua – estaremos fadados a sermos puxados, irremediavelmente sem retorno e remissão, para dentro da boca do vulcão…Pois estamos ao seu redor…

O mundo tal como o conhecemos está desmoronando. Que mundo queremos e podemos (re)construir? Que outra escala de valores teremos de assentar nessa diferente Escola-mundo que almejamos? Que novos exercícios de humanidade teremos de nos impor?

Eram essas as questões que me invadiam enquanto tomava meu banho matinal com menos de um quinto da água que habitualmente utilizava…

 





Um recital para Ariano

By Antonio Nóbrega | 12 janeiro 2015 | Sem Comentários

Já lá se vão mais de quarenta anos desde o momento em que Ariano convidou-me para integrar o Quinteto Armorial. Dessa ocasião até praticamente a sua morte, além da boa convivência e amizade que sempre cuidamos em manter, estabelecemos também um vínculo artístico que se materializou em algumas peças musicais.Essas músicas foram tanto diretamente referenciadas em suas obras literárias – particularmente na Pedra do Reino – quanto, de modo indireto, inspiradas nas prazeirosas conversas que tivemos ao longo dos anos. Não é por outra razão que a apresentação que farei no próximo dia 17 de janeiro, às 20h, no Theatro Municipal de São Paulo, como parte do projeto “Ariano Suassuna – Arte como Missão”  também se constitui  numa espécie de recital sentimental.

Um  recital composto de romances, poemas, martelos agalopados, excelências, toques instrumentais marcados  pelo visão de um homem do sertão. Ou melhor, pelo espírito de um homem que, juntamente com Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, transfigurou uma região seca, áspera e pobre no “mundo mágico, onírico e redentor do Sertão”.Essa viagem musical vai passar pelos romances A Nau Catarineta, A Filha do Imperador do Brasil, A Morte do touro Mão de Pau, pelas canções O Rei e o Palhaço e Canudos, pelas peças instrumentais Rasga e Ponteio Acutilado, entre outras. Tais obras – presentes  nos meus Cds e Dvds – serão entremeadas por falas e pequenos relatos que marcam de alguma  maneira, a minha visão do Cavaleiro da Alegre Figura Ariano Suassuna.

Para esse recital estarei acompanhado por um  quinteto formado por Swuami Jr. nos violões, Filipe Maróstica no baixo, Léo Rodrigues na Percussão,  Olivinho no Acordeom e Zezinho Pitoco no clarinete, sax e zabumba.

Uma maneira emotiva de abrir artisticamente, para mim, o ano de 2015.

Theatro Municipal de São Paulo

Espetáculo musical com Antonio Nóbrega

17 de janeiro às 20h

Retirada de ingressos na bilheteria a partir das 18h

Valor do ingresso R$ 1

Duração – 1h45

Classificação 12 anos

Praça Ramos de Azevedo s/n – centro

Adicione na sua agenda Google.

 

 

 





Ficamos

By Antonio Nóbrega | 15 dezembro 2014 | Sem Comentários

Foto: Rogerio Vieira/Divulgação Auditório Ibirapuera

Foto: Rogerio Vieira/Divulgação Auditório Ibirapuera

 

Um ano! Esse é o prazo que temos para permanecer na rua Purpurina 428, local onde há 22 anos funciona o Instituto Brincante e onde, segundo o prazo que a compreensiva juíza nos deu, completará ainda o seu 23º ano de vida. A  nossa disposição a partir de agora é transferir o Brincante para apenas 10 metros, ou nem isso, de onde está.

Depois de vencido o desafio de ter a casa própria, há uns quinze anos atrás, resolvemos eu e Rosane adquirir as duas casinhas coladas ao Brincante. É lá onde funciona o escritório da nossa produtora, um pequeno centro de documentação e o local de guarda de nosso volumoso acervo. Pois bem, ambas casas têm uma área conjunta de 210 m2, espaço bem mais modesto que os 600 ocupados atualmente pelo Instituto. Daí que para essa transferência teremos de fazer uma muito funcional e inteligente reforma nas casinhas para que possam reabrigar tudo aquilo que cabe no Brincante e o faz funcionar.

Estamos animados. Sobretudo pelos bons sinais demonstrados pela  campanha do #ficabrincante. A partir de agora precisaremos mais de todos. Pois, como se diz por aí, o bicho vai pegar!

E para que esse bicho pegue de verdade, estamos realizando o nosso último ato cultural de 2014. Será no dia 20, próximo domingo (veja aqui o evento do Facebook). Vamos fazer nesse dia, novamente no parque Ibirapuera, em frente à parte externa do seu Auditório, a maior ciranda do mundo!… Uma celebração em forma de roda cirandeira acompanhada de show e da exibição do filme Brincante. Com essa programação estamos querendo agradecer aos amigos todos de todo o país,  especialmente aos paulistanos,  pela  demonstração de apoio, apreço e solidariedade dada ao #ficabrincante. Mas não só! Estaremos também reafirmando o nosso propósito em continuar a realizar espetáculos, produzir eventos, ações lúdicas e culturais, oferecer cursos e oficinas, dançar, tocar, brincar e a ajudar a renovar o homem…no “novo” Brincante. Ainda há muito sonho a realizar…! Pelos dias que o mundo vive, sonho humano é o que parece não fazer falta!

Será uma festa bonita. Tão bonita, certamente, como aquela que pretendemos realizar daqui a um ano na Vila Madalena.

Nessa ocasião, quem parar frente à Purpurina 416 vai se deparar com um quadro comovente e engraçado ao mesmo tempo: uma pequena, simpática e altaneira casinha, cercada, quase engolida, por um carrossel de apartamentos, estará dando o ar de sua graça e de seu esperançoso sorriso…Um sinal de resistência, sem dúvida – apesar do meu desconforto em usar essa palavra – mas sobretudo um sinal de que a estupidez e insensatez humana prevalece, mas não vence!

Ficamos!

 

AN

 

 





Com Passo Sincopado

By Antonio Nóbrega | 24 novembro 2014 | Sem Comentários

 

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Com Passo Sincopado é o nome da aula-espetáculo que idealizei para reunir alguns solos de dança e reflexões sobre as danças populares brasileiras, sobre dança e cultura e sobre uma dança brasileira a que vou dando largas à imaginação…
Tanto quanto a música, a dança teve um poder irresistível sobre mim. Isso eu percebi logo quando a descobri, na década de 70, em Recife. Tomei conhecimento dela informalmente, aprendendo passos e movimentos por meio dos artistas populares da minha cidade. De tanto praticar diversas danças populares, terminei por incorporá-las ao meu universo de criação e hoje, procurando entender de onde provém o seu rico imaginário – passos, saltos, giros, saracoteios, gingados, etc. – vejo que essa busca me oferece caminhos e boas pistas para melhor entender o meu país.
E nem só para isso. Sinceramente falando, acho que a prática lúdica da dança nos ajuda em várias outras coisas. Do mesmo modo que a prática da música ou da poesia favorece o nosso desenvolvimento mental, ampliando e fortalecendo a nossa caixa cerebral de conexões neuronais, a dança também tem esse papel, só que com mais alguns outros valores agregados. Por exemplo: através de sua prática pode-se queimar boa parte do excesso de gordura ou triglicérides que porventura se tenha…, algo que com o exercício da poesia ou da música é muito difícil de se fazer, a não ser que, no caso dessa última, você passe dez horas por dia batendo e pinotando com um tambor de maracatu pesando sobre as costas! Um outro valor adicional da dança é que ela tem uma enorme função socializante e gregária. Se dança mais em conjunto ou em dupla do que solitariamente. E ainda mais: a dança é um excelente modo de “serotonizar” o organismo, de ajudar a aumentar a concentração de serotonina no nosso corpo. Portanto, amigos, dancemos, serotonizemo-nos todos! Muita coisa a mais pode ser dita sobre a dança, mas para que eu não esgote o meu assunto hoje aqui, convido-os a assistirem o meu Com Passo Sincopado. Estarei rodando com essa aula-espetáculo por aí, mas quem estiver em São Paulo na próxima sexta, dia 28, e quiser assisti-la, estarei apresentando-a no Auditório István Jancsó da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da Universidade de São Paulo (USP) às 17h. É só chegar.
Até lá.

Nobrega





Pró-Dilma: O Rei e o Palhaço

By Antonio Nóbrega | 23 outubro 2014 | Sem Comentários

Estive na segunda (20/10) no ato pró-Dilma realizado no Tuca.
Escrevi, li e cantei o seguinte:

“Ao me dispor a proferir algumas palavras hoje aqui vi-me na seguinte contingência: o que eu poderia falar que, minimamente, pudesse   fortalecer e ampliar o ânimo de que ainda necessitamos para prosseguir numa campanha  marcada pelo espírito da tragédia e da violência?

E quando me refiro à violência é sobretudo a verbal.

Essa foi uma campanha em que as palavras foram continuamente desrespeitadas, desonradas! De nada valeram a beleza e verdade que imanentemente elas têm!

O poder da mídia em desinformar tem sido realmente desesperador e essa desinformação, como num jogo de espelhos, tem se mostrado um dos modos mais monstruosos de se fazer política.

Continuo apostando na dimensão social do governo Dilma e estou aqui revalidando fervorosamente essa aposta, mas dizer isso não me impede de falar também que temos de encontrar uma maneira nova de confrontar a violência alheia.

Temos de descobrir um modo de pular fora desse velho jogo do dente por dente, do olho por olho a que estamos acostumados a ver no jogo político.

Ora, em algum momento alguém terá que quebrar esse ciclo vicioso…

Nós os poetas, parece que de alguma forma, conseguimos quebrá-lo.

Recorro à lembrança e saudade de Ariano Suassuna.

Numa conversa que certa vez tive com ele, comentou que todos nós guardávamos dentro de nós o estigma do Rei e o do Palhaço.

Eu cá comigo acho que a civilização em que vivemos inflacionou o espírito do Rei enormemente. Muitíssimos mais de nós preferiríamos ser Rei do que Palhaço.

Inspirado por essa sua observação escrevemos eu e o poeta Bráulio Tavares uma canção da qual vou cantar  algumas de suas estrofes.

Oxalá elas tragam algum relampeio de quietude para todos os que assistimos e acompanhamos o difícil combate a que a nossa querida Dilma corajosamente vem enfrentando.

O REI E O PALHAÇO

Sua coroa é de ouro,

o meu chapéu é de palha.

Sua cota é de malha,

o meu gibão é de couro.

Sua justiça é no foro,

minha lei é o consenso.

O seu reinado é imenso,

minha casa é o meu país.

Você é preso ao que diz,

eu digo tudo o que penso.

 

Você vem com a arma erguida,

eu vou abaixando a guarda.

Você vem vestindo a farda,

eu de roupa colorida.

Você disputa corrida,

eu corro pra relaxar.

Sua marcha é militar,

a minha é de carnaval.

Seu traje é de general,

eu visto pena e cocar.

 

Você vem com a força bruta,

eu vou com a ginga mansa.

Você vem erguendo a lança,

e eu erguendo a batuta.

Você me traz a cicuta,

eu lhe dou chá de limão.

Você diz que é capitão,

eu só sou um mensageiro.

Você é um brigadeiro,

eu sou só um folgazão.

 

Você liga a motosserra,

eu planto flor no cerrado.

Você só anda calçado,

eu piso com o pé na terra.

Você quer vencer a guerra,

eu quero ganhar a paz.

Você busca sempre mais,

eu só quero o que é meu.

Você se acha europeu,

eu sou dos canaviais.”

 





“Brincante – O Filme” no Festival do Rio 2014

By Antonio Nóbrega | 17 outubro 2014 | Sem Comentários

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O filme Brincante, que narra de maneira lírica a trajetória do multiartista Antonio Nóbrega, foi exibido no Festival do Rio 2014 em sessão de gala no dia 4 de outubro, no Lagoon. A película chega às telas do País no dia 4 de dezembro, mas, até lá, terá pré-estreia também durante a Mostra de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 16 e 29 de outubro, e dentro da programação do Festival do Circo do Brasil, em Recife, realizado de 31 de outubro a 9 de novembro.

Além de Nóbrega, falaram ao público carioca o diretor do filme e amigo pessoal do artista pernambucano, Walter Carvalho, sua mulher, Rosane Almeida, atriz e dançarina também presente na película, e os sócios da Gullane, Fabiano e Caio Gullane.

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Veja aqui a cobertura fotográfica completa da pré-estreia.

E acompanhe as novidades pela página do filme no Facebook.

 





Brincar é preci(o)so

By Antonio Nóbrega | 5 setembro 2014 | Sem Comentários

BRINCAR É PRECI(O)SONão me acho uma pessoa grave, desesperançosa do mundo, mas ao ler matutinamente o jornal ou assistir ao noticiário televisivo uma certa frustação com o mundo em que vivemos me toma que, ai, dor..! Epidemia global se desenhando por ali, violência barbarizando em sua truculência por acolá e, em todo lugar, a indústria da falcatruagem frutificando a todo vapor; tensão, ansiedade, competição rolando sempre! Não se trata mais de “problemas do outros”. No tempo em que estamos vivendo, os problemas do mundo parecem cada vez mais se tornarem também os nossos problemas. Dentro desse atual estado de coisas, haveria alguma coisa que poderíamos fazer – cada um de nós em seu exíguo espaço de atuação – para tentar abrandar, diminuir esse estado de coisas? O quê? Será que seremos continuamente dominados por um tal estado de impotência até finalmente jogarmos a toalha, irremediavelmente estraçalhados por dentro? Eu cá comigo penso que de alguma maneira temos de utopizar a vida. Um dos meus diques contra a desesperança é tentar poetizar a vida. A vida é muito bonita para deixarmos que se torne tão áspera e feia… Como a maioria das pessoas, ando buscando também uma minha receita pessoal de vida e uma das coisas que mais me dá animosidade e verdadeira alegria é sempre começar o dia lendo um poema, tocando um choro no bandolim, dançando uma música, escrevendo um texto…

Essa a minha dose diária de busca de equilíbrio interior. Procedendo assim, logo cedinho quando o dia está se abrindo, é como se eu bebesse minha dose diária de isotônico para o corpo-espírito-mente-sei-lá-mais-o quê, ganhando nessa beberragem alguns anticorpos para enfrentar o que a vida vai me atarefar durante as horas seguintes. As pessoas hão de dizer: você faz isso porque é artista e tem tempo para cultivar essas coisas. Isso em parte é verdade, sim. Mas só em parte. Porque mesmo para um artista o mundo está excessivamente escravizador e no meu caso se eu não cavasse para mim esse tempo diário, matinal, ele de jeito nenhum que cairia de algum lugar. Como estamos cansados de ouvir falar, se nós não fizermos certas escolhas no modo de viver e tentar saborear a vida, essas escolhas serão feitas à revelia de nós. E aí?
Aí que brincar é preci(o)so.





Nova Escola terá mostra cultural desenvolvida pelo alunos e show do músico Antonio Nóbrega

By Antonio Nóbrega | 4 setembro 2014 | Sem Comentários

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A água e o consumo

By Antonio Nóbrega | 29 agosto 2014 | Sem Comentários

imagemaguaLi ainda há pouco na Folha de São Paulo que as regiões onde residem os paulistanos mais abastados são aquelas cujos índices de economia de água são as mais baixas. Se pensarmos que quem mora nessas regiões (eu sou um deles) são aqueles que  majoritariamente tiveram acesso à a boa escolarização, leem jornais e revistas,  são assinantes de televiumsão a cabo, estão ligados à internet continuamente, isso  parece ser um contrassenso. E é, realmente. Na busca da razão desse contrassenso o jornal não avançou. Aqui faço a pergunta: por que isso ocorre? A minha tentativa de resposta é a de que quanto mais dependemos do conforto, mais dificuldade temos em dele nos desapartar. Mais dele nos tornamos escravos. Ter água em fartura para lavar o carro ou o jardim, deixar a água caindo da torneira enquanto esquenta para fazermos a barba, não fechar o registro enquanto ensaboamos o corpo e tantos e tantos outros pequenos hábitos de conforto nos tornam cada vez mais dependentes de nossas fraquezas.

Num planeta finito, ou pelo menos com uma boa dose de finitude, não dá para vivermos a nosso bel prazer como se de alguma maneira as coisas fossem se arranjar por si mesmas, se autorregularem. Não irão. Se não conseguirmos nos educar para compartilhar, dividir e nos solidarizar uns com os outros nas pequenas e grandes causas, ficaremos cada vez mais dependentes dos nossos ferozes demônios interiores, cada vez mais sem forças para enfrentar os grandes desafios que parecem se desenhar no horizonte.  Eduquemo-nos!




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