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Eu vou pra Saruê

By Antonio Nóbrega | 6 março 2017 | Sem Comentários


“Quebrando coco

de praia, de Catolé,

perguntei-me o que é

que com este mundo há?

Como num filme

preto e branco e a cores,

cheio de risos e dores,

eu agora vou narrar.

 

Começo em Minas

onde a VALE se derrama.

Sobre o vale um mar lama,

sobre um povo e um lugar.

Matando a fauna,

bicho homem e toda flora.

Hoje a natureza chora

do Rio Doce até o mar.

 

Eu vi as bolsas

despencarem nos pregões

euro, dólar, meus tostões,

onde é que vão parar?

Vão para os bolsos

do mercado financeiro

que governa o mundo inteiro

sem ninguém para vetar.

 

Lá pela Síria

eu vi bombas a granel.

Feito chuva, vêm do céu

destruir tudo o que há.

Bomba francesa,

bomba norte americana,

bomba russa e muçulmana,

e a bubônica bomba Agá

E as multidões  

dos exilados das guerras

procuram por uma terra

onde em paz possam ficar.

Cruzam desertos

com fome, sede e  com medo.

Muitos têm como degredo

naufragar, morrer no mar.

 

Fecham fronteiras,

erguem cercas, paredões,

campos de concentrações,

currais de gente sem lar.

Intolerância

política e religiosa,

combinação perigosa

que já vimos no que dá.

 

Brasil moderno

vive dando marcha ré,

também dá tiro no pé,

eu aqui vou explicar.

De vez em quando

é uma grande agonia,

contra a democracia

estão sempre a atentar.

 

Tudo acontece

nos conchavos, na surdina,

tudo à base da propina

como agora vou mostrar.

Saiu uma lista

da Odebrecht construtora,

a grande corruptora

dos políticos de alugar.

Pois esta lista

tem os nomes dos políticos

com apelidos esquisitos

de se rir e se chorar.

É engraçado,

mas também é uma tragédia,

o país perdeu a rédea,

atenção, escute lá.

 

Quem encabeça

é um sujeito Temeroso,

um político vergonhoso

que não vou pronunciar.

E tem “Caju”,

“Justiça”, “Índio” e “Primo”

tem “Las Vegas”, ói que mimo,

tem “Piquí” e “Angorá”

 

Tem muita gente,

tem um tal de  “Corredor”,

“Goleiro”, “Feia”, ai, senhor!

Tem “Moleza”, pra mamar.

Até “Comuna”,

tem um “Jovem” e um “Velhinho”.

Todos juntos em um ninho

de raposas pra roubar.”

 

Música feita numa parceria de Antonio Nóbrega com o poeta Wilson Freire, apresentada nos shows de carnaval 2017

 

 

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