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Pró-Dilma: O Rei e o Palhaço

By Antonio Nóbrega | 23 outubro 2014 | Sem Comentários


Estive na segunda (20/10) no ato pró-Dilma realizado no Tuca.
Escrevi, li e cantei o seguinte:

“Ao me dispor a proferir algumas palavras hoje aqui vi-me na seguinte contingência: o que eu poderia falar que, minimamente, pudesse   fortalecer e ampliar o ânimo de que ainda necessitamos para prosseguir numa campanha  marcada pelo espírito da tragédia e da violência?

E quando me refiro à violência é sobretudo a verbal.

Essa foi uma campanha em que as palavras foram continuamente desrespeitadas, desonradas! De nada valeram a beleza e verdade que imanentemente elas têm!

O poder da mídia em desinformar tem sido realmente desesperador e essa desinformação, como num jogo de espelhos, tem se mostrado um dos modos mais monstruosos de se fazer política.

Continuo apostando na dimensão social do governo Dilma e estou aqui revalidando fervorosamente essa aposta, mas dizer isso não me impede de falar também que temos de encontrar uma maneira nova de confrontar a violência alheia.

Temos de descobrir um modo de pular fora desse velho jogo do dente por dente, do olho por olho a que estamos acostumados a ver no jogo político.

Ora, em algum momento alguém terá que quebrar esse ciclo vicioso…

Nós os poetas, parece que de alguma forma, conseguimos quebrá-lo.

Recorro à lembrança e saudade de Ariano Suassuna.

Numa conversa que certa vez tive com ele, comentou que todos nós guardávamos dentro de nós o estigma do Rei e o do Palhaço.

Eu cá comigo acho que a civilização em que vivemos inflacionou o espírito do Rei enormemente. Muitíssimos mais de nós preferiríamos ser Rei do que Palhaço.

Inspirado por essa sua observação escrevemos eu e o poeta Bráulio Tavares uma canção da qual vou cantar  algumas de suas estrofes.

Oxalá elas tragam algum relampeio de quietude para todos os que assistimos e acompanhamos o difícil combate a que a nossa querida Dilma corajosamente vem enfrentando.

O REI E O PALHAÇO

Sua coroa é de ouro,

o meu chapéu é de palha.

Sua cota é de malha,

o meu gibão é de couro.

Sua justiça é no foro,

minha lei é o consenso.

O seu reinado é imenso,

minha casa é o meu país.

Você é preso ao que diz,

eu digo tudo o que penso.

 

Você vem com a arma erguida,

eu vou abaixando a guarda.

Você vem vestindo a farda,

eu de roupa colorida.

Você disputa corrida,

eu corro pra relaxar.

Sua marcha é militar,

a minha é de carnaval.

Seu traje é de general,

eu visto pena e cocar.

 

Você vem com a força bruta,

eu vou com a ginga mansa.

Você vem erguendo a lança,

e eu erguendo a batuta.

Você me traz a cicuta,

eu lhe dou chá de limão.

Você diz que é capitão,

eu só sou um mensageiro.

Você é um brigadeiro,

eu sou só um folgazão.

 

Você liga a motosserra,

eu planto flor no cerrado.

Você só anda calçado,

eu piso com o pé na terra.

Você quer vencer a guerra,

eu quero ganhar a paz.

Você busca sempre mais,

eu só quero o que é meu.

Você se acha europeu,

eu sou dos canaviais.”

 

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